E se o meu marido vê pornografia?

Por Kara Garis. Original aqui: What If My Husband Looks at Porn? 

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Foi um grande soco no estômago. Um soco nauseante e palpitante.

Eu me lembro de ficar olhando, confusa, a tela do computador. O que ele estava olhando, exatamente? Era o que eu achava que era?

E então, a lenta percepção.

E então, o inesperado soco no estômago.

Nós havíamos sentado juntos para ouvir sermões. Havíamos balançado a cabeça juntos, em uníssono, concordando. Sim, a pornografia destrói vidas. Sim, a pornografia objetifica as mulheres. Sim, sim, todas essas coisas, sim. Nós até discutimos isso ad nauseam.

Ele, é claro, havia “lutado” com a lascívia. Palavra-chave: lutado. O tempo verbal indica uma luta no passado, não mais uma luta. Eu estava bem. Estava segura. Havia me casado com um homem cristão. Não havia a necessidade de me preocupar com pensamentos de comparação ou inseguranças quanto ao meu corpo. Meu marido só tinha olhos para mim, e eu só sentia pena daquelas pobres mulheres cujos maridos não possuíam um autocontrole semelhante ao do meu marido.

Mas então tudo caiu naquela noite. Eu me lembro de tatear na sala, confusa pela luz suave que iluminava o ambiente àquela hora tão tarde — tentando entender por que ele parecia tão assustado — e então veio a explosão devastadora. E então a vergonha, a culpa, a autocondenação, a ira incontrolável, a incapacidade de me livrar do sentimento de traição.

Quem é essa pessoa com quem casei?

Mentiram para mim.

Pensamentos e dúvidas continuavam a vir. Eu me tornei uma mulher obsessiva. Meus olhos ficavam continuamente seguindo os dele. Nenhum lugar era seguro. A barista do Starbucks? Por que ela? A mulher no culto de domingo? Por que seus olhos demoravam nela? Não existe um só lugar seguro? Rapidamente ficou cansativo. O meu cérebro estava constantemente “ligado”.

E então veio o ataque das inseguranças pessoais. Por que existem tantas mulheres mais atraentes do que eu? Por que eu nunca consigo ficar magra o suficiente? Por que eu não sou morena o suficiente? Não era fenotipicamente possível, para mim, competir com os objetos da lascívia do meu marido. A genética nunca estava a meu favor. A incessante demanda ao meu marido e a necessidade de aprovação e afirmação constante estavam se tornando uma tensão em nosso relacionamento, até que tudo se resumiu a isso: Ele não feito para carregar o peso da minha idolatria. E eu não fui feita para carregar o peso da prevenção do seu pecado.

Seis verdades para esposas feridas

Através de muito aconselhamento, lágrimas, discussões e oração — um longo processo de cura e restauração cheia de graça em Cristo — Deus me mostrou várias verdades que podem servir a outras esposas como eu.

1. Você, querida mulher, não está em uma batalha contra o seu marido.

Você e o seu marido estão juntos em uma batalha contra o pecado. Satanás não gostaria de nada mais além de separar mais um vínculo de aliança. Permita-me ir além e afirmar que, sim, uma consequência infeliz do pecado é que ele fere o seu relacionamento. Lute contra isso com o sangue de Cristo. O perdão é oferecido a todos nós no caminho para restaurarmos a união marital.

Mas ao buscar a união, não estamos aceitando o pecado. Fique irada com o pecado. Atente para Jesus e a Sua ira — pela graça, torne a sua ira justa. Ire-se e não peque (Efésios 4.26). Procurem aconselhamento. Orem juntos. Encontrem uma comunidade bíblica na qual vocês possam confiar e ser vulneráveis. Lutem contra esse pecado juntos, e busquem ajuda de outros.

2. O pecado dele não é culpa do seu corpo.

Enquanto eu sou grata pelo incontável montante de literatura sobre casamento que defende o valor de ficar em forma para o seu marido, a verdade é que mesmo as mulheres mais atraentes e fisicamente formosas são vítimas da dor da infidelidade do marido. Não é culpa do seu corpo.

Irmã em Cristo, você irá envelhecer. Você está envelhecendo! Haverá épocas em que você não será capaz parecer com o que era no dia do seu casamento. Eu tive três filhos. Posso atestar isso pessoalmente. Temos de confiar em Deus com o nosso corpo de oito-semanas-após-o-parto. Temos de confiar nEle com o nosso corpo de recém-casada. E, embora eu não tenha experimentado isso pessoalmente ainda, temos de confiar nEle com o nosso corpo de idosa.

Claro, fique em forma para o seu marido o quanto puder. Mas não como seguro-lascívia para privá-lo de lidar com o coração e a raiz de sua própria luta com o pecado. O seu nível de beleza não é uma medida espiritual preventiva. É mais importante que você esteja suplicando a Deus em oração por seu marido, do que trabalhando a circunferência das suas coxas.

3. Aceite a soberania de Jesus, e confie o seu marido a Ele.

Essa luta juntos não é baseada no que você faz ou deixa de fazer. Jesus é Senhor sobre tudo, incluindo as lutas de seu marido. Somente a graça pode gerar a mudança permanente que o seu marido tão desesperadamente precisa. Não é você. Você não é o senhor dele. Você não é e nunca foi capaz de mudar a condição do coração de alguém. Para que o seu marido veja, algum dia, a feiúra da pornografia, ele deverá primeiro ver a beleza de Cristo como parte de sua experiência diária da vida cristã. E você não pode dar a ele essa visão espiritual. É um dom de Deus.

4. O seu pecado de amargura não é justificado.

O pecado sexual tem terríveis consequências. Ele destrói famílias. As pessoas perdem empregos por causa dele. Temos visto carreiras políticas se desfazerem por causa do pecado sexual. Pastores cometem suicídio por causa de sua queda no pecado sexual. Ele nunca deve ser considerado levemente.

Entretanto, a sua amargura e ressentimento também não devem ser considerados levemente (Efésios 4.31). Seja honesta com o seu marido, mas não o condene (Romanos 8.31).

5. Ele precisa de você e do seu perdão agora mais do que nunca.

Somos chamados a carregar os fardos uns dos outros e a perdoar assim como fomos perdoados (Colossenses 3.13), e não somente quando tais fardos forem convenientes a nós. Esses mandamentos são exatamente para momentos quando é difícil perdoar — quando os fardos do nosso marido resultam em nossa dor. Esses são os fardos que não podemos agravar ao abandonar o marido. Esses são os fardos que somos chamadas a ajudá-lo a carregar (Gálatas 6.2).

6. O seu marido não é o seu salvador, e você não é a salvadora dele.

Nós não somos capazes de salvar nosso marido mais do que nosso marido é capaz de nos salvar. Ambos somos criaturas necessitadas de graça. Estruturas de prestação de contas, regras e limites online possuem o seu lugar e hora. Mas, em última análise, resume-se a você sozinha nos momentos de tentação. É nesses momentos que você só pode confiar em Jesus para ajudá-la. E é nesses momentos que você só pode confiar em Jesus para ajudar o seu marido. Em um mundo cheio de tentações sexuais sedutoras, nada além do sangue de Jesus pode lavar o nosso pecado e nos libertar dele.

Siga em frente

Muito mais poderia ser dito sobre esse tópico, mas a questão fundamental é essa: todos somos pecadores depravados necessitados da graça; homens e mulheres que precisam andar por fé e não por vista (2 Coríntios 5.7). Não podemos expiar o nosso pecado. Felizmente, Jesus fez expiação por todo o nosso pecado. É somente a Sua obra em nós que pode nos ajudar a ser as pessoas que fomos chamadas a ser. É somente por Sua graça que nosso casamento tem qualquer esperança de durar até que a morte nos separe.

Então, siga em frente, querida amiga. Entregue o seu marido a Deus a cada dia. Acredite que Ele tem planos para o seu marido que incluem essa parte da sua história. E acredite no mesmo para você também.

Nota da autora: Esse artigo foi escrito e compartilhado online com a permissão e apoio do meu marido, na esperança mútua de que a nossa prontidão em falar irá ministrar graça e verdade às nossas irmã em Cristo que se encontram passando por essa mesma dor.

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Quando o casamento está muito longe: sobre o namoro à distância

por Marshall Seagal – original aqui.

As pessoas estão buscando o casamento de mais formas do que nunca. Com os desenvolvimentos em tecnologia e comunicação, o namoro também está mudando. Os alvos e princípios para o namoro permanecem os mesmos, mas às vezes os protagonistas estão longe, encontrando-se através de websites, como o eHarmony, de mídias sociais, como o Facebok, ou através de redes de amigos de longa distância.

Minha esposa e eu namoramos à distância por dois anos — 3.000 quilômetros e dois fusos horários de separação.

Qualquer casal que namora — sejam vizinhos ou galãs internacionais — deveria buscar clareza e adiar a intimidade. O grande prêmio no casamento é a intimidade centrada em Cristo; o grande prêmio no namoro é a clareza centrada em Cristo. Nós fazemos bem em tomar decisões no namoro com tal realidade em mente. Entretanto, uma vez que relacionamentos à distância trazem desafios especiais, eles requerem sabedoria especial.

Namoro à distância é o pior

Se você tem amigos que namoraram à distância, você tem amigos que reclamaram de namorar à distância. No namoro à distância você não terá o “tempo junto” de todo dia que os relacionamentos de pessoas na mesma cidade terão — menos noites fora, menos passeios para resolver demandas conjuntamente, menos tempo com os amigos mútuos, menos experiências compartilhadas que parecem a vida normal. É difícil porque você quer estar com a pessoa, mas também torna o discernimento especialmente difícil.

Namoros à distância não parecerão tão reais quanto os namoros na mesma cidade. Vocês se conectam nas brechas da vida, normalmente conversando após toda a ação do dia. Você está tentando fazer as manchetes — animadoras ou desencorajadoras — parecer reais para o seu namorado ou namorada, mas, por mais que ele/ela se importe com você, não está lá.

Como você pode desenvolver clareza na vida diária com ele/ela pelo resto de seus dias se nunca consegue experimentar a vida diária no namoro? A integração parcial de um namorado ou namorada em sua vida é inegavelmente útil para imaginar o que a integração completa pode ser.

Namoro à distância é o melhor

Dito isso, eu gostaria que todos pudessem namorar à distância. Não estou, de modo algum, me manifestando contra uniões na mesma cidade, mas estou recomendando o namoro à distância em qualquer momento que Deus conectar os pontos, especialmente em nossos dias. Os custos foram reais e sentidos por nós, mas os benefícios, especialmente para cristãos, são reais e duradouros.

Se você tem amigos com namoros da mesma cidade, você provavelmente tem amigos que têm lutado com a impureza sexual. Pode não ser a batalha de todo casal, mas qualquer um trabalhando em aconselhamento pré-marital dirá que isso é extremamente prevalecente. O namoro à distância não elimina a tentação nessa área (presumivelmente vocês passam pelo menos alguns fins de semanas em uma mesma cidade), mas a limita tremendamente. Muita energia nas “atrações de mesma cidade” é gasta na luta diária para segurar os impulsos de intimidade sexual (o sexo é a correta conclusão de todo namoro cristão, quando o namoro termina em casamento). Tal luta é muito mais focalizada e ocasional quando o namoro é à distância. Em uma era na qual a imoralidade sexual é liberada, celebrada, e até legislada, tais benefícios não poderiam ser melhores.

Outra grande bênção do namoro à distância é a comunicação forçada. Em tais relacionamentos, “passar tempo juntos” significa falar ao telefone. Isso remove as necessidades de se embelezar para impressionar um ao outro. Elimina as muitas noites de apenas assistir televisão ou filmes. Você de fato conversa — e conversa, e conversa.

Se a clareza é o seu alvo compartilhado no namoro, e se a comunicação saudável é uma prioridade para o seu casamento (e deveria ser), então não há nada melhor para vocês fazerem juntos do que apenas conversar.

Dicas para a distância

Da minha experiência, e de conversar com muitos outros que recentemente namoraram à distância, aqui vão três conselhos para os que buscam a clareza em direção ao casamento.

1. Sejam mais céticos em relação aos seus sentimentos

O namoro à distância é mais fácil de algumas maneiras (menos intrusivo e frequentemente menos exigente no dia a dia). Mas isso não deveria fazer os cristãos relaxarem no namoro, porque existe muito em questão. Ironicamente, nós precisamos ser mais intencionais e vigilantes. Ao buscar um casamento entre pecadores, fique atento a qualquer coisa que venha fácil demais.

Vocês provavelmente irão aprender mais fatos, um sobre o outro, do que iriam se morassem na mesma cidade, porque conversam mais. Mas também é mais fácil esconder as coisas. No namoro de mesma cidade, vocês provavelmente veriam coisas um do outro que não admitiriam prontamente ao telefone. Se vocês casarem, perceberão que não conheciam um ao outro tão bem quanto pensavam.

Meu conselho: seja mais devagar em declarar clareza sobre o futuro em um relacionamento à distância. Os obstáculos deveriam nos preservar de apressarmos a decisão de casar. Seja cético quanto à euforia romântica que você sente após um mês de conversas tarde da noite, ou após o seu primeiro fim de semana juntos como casal. Dê a vocês mais tempo para se conhecer. Planejem viagens para passar tempo com as pessoas na vida um do outro. Sejam honestos quanto às limitações da tecnologia — por melhor que seja a tecnologia para o namoro — em desenvolver um relacionamento e discernir a prontidão de cada um para casar.

2. Esforcem-se mais para conhecer os amigos uns dos outros

A comunidade é absoluta e inegavelmente importante no namoro cristão (ou em qualquer outra vocação na vida). Assim como em qualquer outra área de sua vida cristã, você precisa do corpo de Cristo enquanto pensa em quem namorar, como namorar, e quando casar. Se você está decidindo como servir, onde trabalhar, ou com quem casar sem os irmãos e irmãs cristãs ajudando a tomar tais decisões, você está fazendo isso de maneira tola (Hebreus 3.12–13; Provérbios 3.5). Uma parte essencial dos meios de Deus para confirmar os desejos de nosso coração — para confirmar o que o Espírito está fazendo em nós e em nossos relacionamentos — é a igreja, a comunidade dos crentes em nossa vida.

O namoro à distância realmente complica essa dinâmica no namoro. As pessoas já são relutantes em sair de sua rota para incluir outras pessoas em sua vida amorosa, mesmo em um relacionamento de mesma cidade. É inconveniente, mas é também crucial. E é muito mais desafiador quando a sua rede de amigos está a milhas e milhas de distância.

Seja criativo e “namore” algumas pessoas que fazem parte da vida um do outro também — não necessariamente um por um, mas se esforce para conhecê-las e ser conhecido por elas. Alguém que ame vocês e Jesus deveria conhecer vocês (individualmente e como casal) bem o suficiente para concordar com vocês que deveriam se casar. Priorize e inicie isso em seu namoro à distância.

3. Não pensem que vocês não precisam de limites

Os limites são importantes em qualquer relacionamento “ainda-não-casados”, porque Deus os ama e quer o melhor para vocês. Ele não os criou para entregarem o coração irresponsavelmente sem uma aliança. Enquanto os mergulhos espontâneos em intimidade parecem ótimos nos filmes “melosos”, e parecem maravilhosos no momento, eles produzem vergonha, arrependimento, desconfiança e vazio. Limites são necessários porque, no caminho do casamento e sua consumação, o apetite por intimidade apenas cresce se você alimentá-lo.

A distância não remove a tentação sexual. Na verdade, para muitos, a tentação sexual será mais forte quando estiverem juntos. Nós, de maneira tola, tentamos compensar todo o tempo em que estivemos separados fisicamente, como se devêssemos algo um ao outro. Previnam-se quanto a isso, e conversem, antes da viagem, sobre como vocês evitarão a tentação e a confrontarão quando ela surgir. Também, fiquem alertas quanto às tentativas de experimentar intimidade sexual juntos através da tecnologia. Imagens e palavras podem ser tão perigosas ao nosso coração quanto o toque.

Os limites, entretanto, não são apenas para nos guardar da imoralidade sexual. Limites edificam a confiança. Quando definimos padrões claros e expectativas no namoro, e então preenchemos tais padrões e expectativas, estamos dizendo que faremos o mesmo no casamento. Isso é verdade na pureza sexual e em centenas de outras formas.

Outras perguntas para fazermos a nós mesmos sobre limites incluem:

• Com que frequência é saudável conversar?
• Por quanto tempo é saudável conversar a cada noite?
• Que tipos de conversas deveríamos ter a cada estágio do relacionamento?
• Quando é amável dizer “eu te amo”?
• Quando é seguro falar sobre casamento? Como nós nos protegeremos um ao outro ao falar sobre casamento?
• Com que frequência devemos visitar um ao outro?
• Como protegeremos nossa pureza durante esses pequenos, e frequentemente mais românticos, dias juntos?

Ao lidar com essas e outras questões em antecipação, vocês sacrificarão um pouco da adrenalina da espontaneidade, mas também protegerão um ao outro no namoro, e vocês cultivarão o tesouro da confiança.

Com paciência, vocês preservarão e multiplicarão os seus prazeres no casamento. A espontaneidade é um sabor importante no namoro e no casamento, mas o casamento é alimentado por fidelidade e confiança, e não pela surpresa. Definam alguns limites reais e objetivos, mesmo que pareçam arbitrários em princípio, e sigam em frente, juntos.

Recuar no casamento é receita para o desastre

Artigo escrito por Albert Mohler, traduzido por Júlio Severo, e publicado no Notícias Pró-Família
Se você estivesse determinado a condenar uma população à pobreza e a muitas outras patologias sociais, como você faria isso? Se seu trama é estender os efeitos dessas patologias e sofrimentos para sucessivas gerações, quais seriam seus planos? A resposta a ambas as perguntas é óbvia. Basta apenas colocar o casamento à margem da sociedade.
Os economistas nos dão a informação de que o déficit de poder econômico dos solteiros em comparação com os casados chega a 75 por cento. Os solteiros são menos saudáveis, menos ricos e menos estáveis em relacionamentos em comparação com os casados. E, o que não é surpresa para ninguém, os maus efeitos dessa condição se estendem diretamente aos filhos de uniões sem casamento e até as gerações que virão.
Em outras palavras, é difícil imaginar uma conspiração para trazer danos e infelicidade para vidas humanas que se compare, em termos sociais e econômicos, à marginalização do casamento.
Medite nisso ao considerar outra dimensão desse quadro. Durante a maior parte do século passado, temos estado preocupados com o fato de que as elites culturais e intelectuais se distanciaram da instituição do casamento. Começando na década de 1920, os americanos com educação mais elevada se distanciaram do compromisso conjugal. Em contraste, a classe média se apegou resolutamente ao casamento, tanto em termos institucionais quanto morais. Os americanos da classe média e aqueles de níveis econômicos mais baixos tendiam a se casar, permanecer casados e ter filhos só dentro da instituição do casamento.
No entanto, numa reversão assombrosa desses compromissos, os americanos que têm mais dinheiro e educação acadêmica têm agora mais probabilidade de se casarem, permanecerem casados e terem filhos só dentro do casamento. Num dos grandes acontecimentos trágicos e inesperados de nossos tempos, os americanos com menos educação têm agora muito menos compromisso com o casamento do que no passado recente e menos compromisso ainda com o casamento do que as elites educadas.
Conforme explicam agora os pesquisadores, aqueles que têm um nível moderado de educação (um diploma colegial e que talvez tenham estudado numa universidade, mas não se formaram) são agora os que estão cada vez mais se distanciando do casamento. A mudança enorme em compromisso moral e institucional com o casamento é uma tragédia de proporções épicas se revelando diante de nossos olhos, mas está agora em curso avançado.
No livro “When Marriage Disappears: The New Middle America” (Quando o casamento desaparecer: a nova classe média dos EUA), um excelente grupo de pesquisa fornece ampla documentação dessa tragédia. A cada ano, o Projeto Nacional de Casamento da Universidade da Virginia e o Centro de Casamento e Famílias do Instituto de Valores Americanos divulgam um relatório intitulado “The State of Our Unions” (A situação de nossas uniões). Esse relatório mais recente, divulgado neste mês, oferece uma olhada entristecedora na marginalização do casamento entre americanos que tinham sido no passado os mais ferrenhos defensores do casamento tanto na teoria quanto na prática. O que foi que aconteceu?
Os Estados Unidos agora enfrentam uma “lacuna de casamento” que só dá para se descrever em termos sombrios. As pessoas com um nível moderado de educação agora têm menos probabilidade de se casarem, permanecerem casadas e reservarem filhos para o casamento. Esses americanos agora têm menos probabilidade de formarem casamentos permanentes, enquanto os que têm um nível mais elevado de educação têm agora mais probabilidade de se casarem. Para os americanos com um nível moderado de educação que casam, seus casamentos estão agora declinando em medidas de qualidade e estabilidade. Os índices de divórcio são agora mais baixos para os que têm maior nível educacional e são mais elevados para os que têm um nível moderado de educação. A classe média que tem um nível moderado de educação tem agora, “de forma dramática, mais probabilidade do que os americanos com nível elevado de educação de terem filhos fora do casamento”.
Os nascimentos fora do casamento para as pessoas com nível elevado de educação atingem agora a faixa dos 6 por cento. Compare isso com os 44 por cento para as mães com educação moderada e 54 por cento para as mães com o nível mais baixo de educação. Os filhos das pessoas com maior educação têm agora mais probabilidade de viverem com ambos os pais biológicos do que os filhos da classe média que tem educação moderada. Conforme observam os pesquisadores, os padrões que devastaram as populações urbanas e de minorias em décadas recentes agora se alastraram para os subúrbios e para a classe média dos EUA.
Conforme explica W. Bradford Wilcox da Universidade da Virginia:
Os números são claros. Para onde quer que olhemos entre as comunidades que compõem o fundamento da classe média dos EUA — quer o Maine de pequenas cidades, os subúrbios de classes operárias do sul de Ohio, as terras cultivadas do Arkansas rural ou as cidades industriais da Carolina do Norte — os dados contam a mesma história: O divórcio está crescendo, ter filhos fora do casamento está se alastrando e a felicidade conjugal está cada vez mais escassa.
Kay S. Hymowitz alertou acerca desse desastre iminente em seu livro de 2006, “Marriage and Caste in America: Separate and Unequal Families in a Post-Marital Age” (Casamento e casta nos Estados Unidos: Famílias separadas e desiguais numa era pós-matrimonial). Agora, menos de uma década mais tarde, o distanciamento da classe média do casamento está ocorrendo diante de nossos olhos.
Os pesquisadores sugerem que a grande “mudança de opinião e atitude” acerca do casamento dentro da classe média remonta a três acontecimentos. Primeiro, muito embora os que têm nível moderado de educação tenham tradicionalmente sido mais conservadores em questões morais relativas ao casamento, eles estão agora cada vez mais permissivos em termos de moralidade social e sexual. Numa virada grande e irônica, os que têm nível elevado de educação estão entrando nos padrões conservadores, ao mesmo tempo em que a classe média está ficando mais permissiva.
Segundo, essa nova permissividade significa que esses americanos têm agora mais probabilidade de se envolverem em condutas “que colocam em risco suas possibilidades de alcançar sucesso matrimonial”. Essas condutas incluem múltiplos parceiros sexuais e infidelidade conjugal.
Terceiro, os americanos com educação moderada têm agora significativamente menos probabilidade de adotar os “valores e virtudes” que se exigem para se ter sucesso matrimonial. Os pesquisadores apontam para abstinência de álcool, gratificação demorada e aspiração educacional como exemplos dessas virtudes que estão desaparecendo. O casamento depende de um alicerce moral, e sem essas virtudes (e outras), é muito difícil sustentar o casamento.
Adicione a tudo isso outra descoberta sinistra. Desde 1970, os americanos com educação moderada têm experimentado a queda mais significativa na frequência a reuniões cristãs. Nas palavras do relatório, “Durante mais de 40 anos, então, a classe média dos EUA perdeu a vantagem religiosa que tinha sobre seus concidadãos de nível de educação mais elevado”.
Essa descoberta tem apoio de dados de igrejas e denominações. As décadas de crescimento enorme de igrejas nos subúrbios dos EUA cederam a um terreno acidental muito mais complexo e difícil — e a marginalização do casamento está ligada a esse fenômeno também.
Em termos de dimensão religiosa, esse é o ponto máximo que “When Marriage Disappears” (Quando o casamento desaparecer) irá nos levar. É claro que os cristãos terão muito para contribuir para esse quadro. Sabemos que o casamento, embora fundamental para a sociedade humana, não foi dado para a humanidade por razões puramente sociológicas. O casamento foi dado por nosso Criador, que nos concedeu graciosamente essa instituição de aliança para nossa saúde, nossa felicidade e nosso florescimento humano. Além disso, os crentes sabem que o casamento nos foi dado para nossa santidade também.
Portanto, por razões que incluem tudo o que podemos aprender com esse relatório, e por muito mais que sabemos a partir das Escrituras e da sabedoria cristã, os cristãos sabem que a marginalização do casamento só poderá levar à infelicidade, doenças e o descosturamento dos relacionamentos humanos.
Não temos escolha, a não ser olhar para essa documentação com toda a sinceridade. Será que diante de nossos olhos não estamos assistindo ao desaparecimento do casamento para muitos?

Meu último casamento terminou em divórcio. Como eu me preparo para casar novamente? Como posso encorajar meu namorado nesta fé?

 (resposta de uma diaconisa*)

Um bom lugar para começar é a série Peasant Princess, que é baseada no livro de Cantares, para ver como você pode se preparar para ser uma esposa piedosa e auxiliadora no futuro, seja com o seu atual namorado, ou com outra pessoa que Deus tem para você. Sinto muito que seu ex-marido tenha pecado contra você e Deus, ao traí-la. O único modo pelo qual você pode vencer este temor é através de Jesus, permitindo-se perdoar o seu ex, para que você não seja tomada de amargura e medo do futuro. A cura leva tempo, e eu sugiro fortemente que você encontre uma mulher piedosa mais velha em sua igreja, que possa caminhar com você pelo seu relacionamento e vida, enquanto busca a Deus e o que Ele tem planejado para você.

Com o seu namorado, é difícil discernir a linha entre encorajar e perturbar. Entre meu marido e eu, é uma questão de confiar nele, e crer que Deus está cuidando dele – e não eu. Eu não sou o seu Espírito Santo, e mesmo que seja maravilhoso encorajar a oração e a leitura bíblica, isto é algo que ele precisa fazer por conta própria, assim como você. Da mesma forma que espero que você encontre uma mulher piedosa e mais velha, espero que ele encontre um homem mais velho e piedoso para encorajá-lo. Os homens têm uma forma de se animar mutuamente, que as mulheres não são capazes de reproduzir. Veja este exemplo em Tito 2.2-4.

Homens mais velhos devem ser sóbrios, dignos, controlados, sadios na fé, no amor, e na constância. As mulheres mais velhas devem ser reverentes no comportamento, não caluniadoras, nem escravizadas ao vinho. Devem ensinar o que é bom, e assim treinar as mais jovens a amar os seus maridos e filhos.

Um colega tinha este conselho a você, como se estivesse aconselhando sua própria filha:

  • Seja bastante observadora sobre como o seu namorado se comporta perto de outras mulheres. Ele flerta? Os olhos dele ficam vagueando, etc?
  • Observe como ele se comporta diante de sua mãe e irmã. Isto pode falar muito. Ele as ama? Ele as respeita? Ele honra sua mãe?
  • Também, como o pai dele trata a sua esposa? Isto pode ser uma bandeira vermelha, ou uma verde.

Ligado a isto está o currículo de aconselhamento pré-marital que usamos na Mars Hill. Sugiro que você o leia com o seu namorado, mas também encontre casais mais velhos e piedosos (idealmente as mesmas pessoas que os aconselham separadamente) que possam conhecê-los e mentorear ambos.

Também sugerimos os sermões do Pastor Mark sobre casamento para homens e mulheres da série Trial (1Pedro). Eles lhe falarão muito sobre o que Deus planejou para o casamento. A série original de sermões em Provérbios que o Pastor Mark fez há um tempo, sobre o Pacto de Casamento será instrutiva também.

Outro sermão que pode se mostrar bastante iluminador para você seria o sobre o namoro, que foi parte da série Religion Saves. Por favor, veja as notas daquele sermão também.

Finalmente, sugerimos que você leia “What did you expect?”, de Paul Tripp. Fala sobre as expectativas irreais de quase todos os casais logo que casam. Ler este livro pode ajudar você a evitar problemas antes que eles criem raízes. Tripp os chama de ervas daninhas que criam raízes no jardim do casamento.

Publicado no blog da Mars Hill Church [clique aqui para ler o original]

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*A Igreja Mars Hill adota o uso de diaconisas. Mais sobre a sua postura sobre o assunto pode ser lido aqui. Há uma longa discussão sobre a legitimidade de diaconisas, que não é o ponto do artigo – nem do EuCaso.com, e por isso não será discutido.

Seis coisas que os cônjuges deveriam aprender de Efésios 5

por Bob Lepine, palestrando na Conferência Nacional do CCEF

1. Eles estão mortos para o mundo e vivos em Cristo.

2. É crucial guardar a pureza sexual no casamento.

3. Guardem-se contra a cobiça (buscar a satisfação que o casamento deve promover, em coisas fora do casamento).

4. Mensagens sexuais do mundo são vazias.

5. Mortifiquem a carne, não tentem “gerenciá-la”.

6. Os cristãos nunca deveriam se envergonhar de ter uma conversa sexual saudável no casamento.

Originalmente publicado no blog do CCEF [clique aqui para ler]

Dê graças! A visão de casamento da Time é obsoleta

Nancy Pearcey*

Na hora das famílias se reunirem para o Dia de Ação de Graças, a revista Time nos diz que o casamento está se tornando “obsoleto”. Uma pesquisa conduzida junto com o Centro de Pesquisa Pew descobriu que aproximadamente 4 em 10 americanos concordam que o casamento está ultrapassado.

Este número inclui tanto os que aplaudem a tendência (62% dos que cohabitam) e aqueles que lamentam (42% dos auto-descritos conservadores).

A verdadeira estória, entretanto, é o pressuposto não declarado de que o casamento é definido primeiramente pelos benefícios que ele confere. Como a Time coloca, as pessoas não mais “precisam estar casadas para ter sexo, ou companhia, ou sucesso profissional, ou respeito, ou mesmo filhos”.

O título do artigo é: “Casamento: pra que serve?”

Como os americanos vieram a aceitar uma visão tão utilitarista do casamento? É uma definição superficial, culturalmente condicionada, ocidental e modernista – uma que promete libertação, mas na realidade põe uma ameaça à liberdade.

As fontes da civilização ocidental – ambas clássicas e cristãs – reconheciam que relações sociais como o casamento são naturais, pautadas na natureza humana. O casamento foi considerado uma instituição social pré-existente com sua própria estrutura normativa.

Nós não criamos o casamento no improviso. Em vez disso, na elegante linguagem da cerimônia de casamento, nós “entramos no santo estado do matrimônio”.

Então, na primitiva Europa moderna, a idéia estranha surgiu de que o casamento não é nem natural, nem intrínseco à natureza humana. Os físicos Newtonianos ilustraram o universo material como átomos se colidindo no vácuo sob a força da atração ou repulsão. A mesma metáfora logo foi aplicada ao mundo social também.

A sociedade civil foi ilustrada como muitos “átomos” humanos que se uniam e “amarravam” em vários relacionamentos sociais.

Os teóricos do contrato social como Locke e Rousseau propuseram que os humanos começam como indivíduos atomísticos, disconectados e autônomos. No “estado de natureza” não há casamento, família, nem sociedade civil.

Como, então, os relacionamentos sociais surgiram? De acordo com a teoria, foram criados pela escolha. E, portanto, podem ser recriados pela escolha.

A teoria do contrato social, assim, reduz todos os relacionamentos a… bem… contratos.

Em um contrato, os termos podem ser definidos da forma que você quiser. Diferente do compromisso da vida inteira de alguém para melhor ou pior, um contrato é uma troca limitada de bens e serviços. É um arranjo que firmamos com outros, que podemos fazer ou quebrar pela vontade. Se não mais produzir os benefícios desejados, pode ser encerrado.

Soa familiar? Esta é a visão de casamento que a Time pressupõe quando apresenta a idéia de que o casamento poderia ser obsoleto.

E a Time não está sozinha. A maioria dos americanos absorve alguma forma de teoria do contrato social com o ar que respira. O professor de Princeton, Eric Springsted, diz que este é a pressuposição inconsciente que os alunos trazem à sala de aula: “sem ter lido uma palavra de Locke, eles poderiam reproduzir sua noção do contrato social sem dúvida no mundo”.

Não há surpresas no senso dos americanos, de que os laços sociais estão se enfraquecendo. No livro Democracy’s Discontent (o descontentamento da democracia), Michael Sandel, de Harvard, reclama que a filosofia política liberal apresenta os humanos como “seres livres” que rejeitam se prender por qualquer “amarra moral ou cívica que eles não tenham escolhido”.

Em Rights Talk (falando de direitos), Mary Ann Glendon, também de Harvard, diz que mesmo nossas leis são baseadas em uma imagem do “ser livre, um ser conectado a outros apenas por escolha”.

E se humanos são originalmente e inerentemente indivíduos autônomos, então se segue logicamente que qualquer limite moral sobre a sua autonomia será considerado contrário à sua natureza. A idéia de que o casamento tem uma estrutura normativa parecerá opressiva.

Como resultado, o casamento como praticado nos Estados Unidos se tornou extremamente frágil – com consequências trágicas. Os dados empíricos claramente mostram que crianças de pais solteiros ou divorciados têm mais probabilidade de sentir problemas emocionais, de comportamento, e de saúde. Têm mais probabilidade de problemas na escola e desistência. São um risco maior para a gravidez antes do casamento, drogas e abuso do álcool, suicídio e crime.

Consequentemente, há mais probabilidade deles requererem serviços sociais através do sistema educacional, do sistema de saúde, do sistema de saúde mental e do sistema de justiça criminal. Todas estas intervenções são intrusivas e caras. Somente a execução do pagamento de auxílio à criança custa dez milhões de dólares aos Estados individuais.

Enquanto o casamento se enfraquece, o Estado cresce mais invasivamente, e se torna mais caro. E as pessoas crescem menos livres e mais fracas.

Os custos da crise no casamento são suportados por toda a sociedade, e, portanto, é razoável para toda a sociedade demandar apoio ao casamento – insistir que ele é privilegiado tanto culturalmente quanto legalmente.

A defesa do casamento é a defesa da liberdade. Nenhum dos dois é obsoleto.

Publicado originalmente no Human Events [clique aqui para ler o original]

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*Nancy Pearcey é autora do livro Verdade Absoluta, publicado em português pela CPAD; do livro A Alma da Ciência, publicado pela Cultura Cristã, bem como de outros livros envolvendo Filosofia da Ciência, Teologia Filosófica, Cristianismo e Cultura, e Cosmovisão Cristã.